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NO COMPASSO DA GRAÇA

  • 4 de mai.
  • 3 min de leitura

Quando me refiro a compasso, não estou falando sobre aquela ferramenta utilizada para desenho técnico, mas sim me referindo ao compasso musical, que orienta a sincronia e o ritmo em uma música, garantindo a harmonia, atuando como uma espécie de maestro invisível. Na vida cristã, também temos um maestro invisível: o Espírito Santo. Ele é o Espírito da verdade que nos conduz por toda a verdade.


Um dos maiores desafios da vida cristã é vivermos nesse compasso, pois, muitas vezes, temos dificuldade em relacionar aquilo que recebemos de Deus de maneira passiva — no sentido de que não fizemos nada para receber — com o aspecto das nossas atitudes práticas. Para muitos, esse “fazer” está associado à lei, ao agir baseado na força do próprio braço, ao desempenho baseado no próprio mérito. E, por isso, surge uma tensão constante entre aquilo que recebemos e aquilo que fazemos.


Por isso, por vezes, não só veremos cristãos, mas também seremos esses que vivem de maneira descompassada, ou seja, fora do ritmo correto, em desarmonia com a Palavra de Deus. Veremos incoerência, veremos discrepância, veremos uma vida que não expressa aquilo que foi recebido.


Alguns até tentam entrar nesse ritmo, mas logo saem dos trilhos, como um trem desencarrilhado, a ponto de até abandonar a fé e a vida da igreja. Outros — e creio que a maioria — sustentam a si mesmos nos trilhos, fazendo com que o propósito de suas vidas se torne simplesmente permanecer firmes nos caminhos. A intenção é boa, mas se torna insustentável, pois nunca acessam o lugar de desfrute da vida cristã. Tornam-se cristãos oprimidos por si mesmos, cansados, sobrecarregados, tristes, que reclamam e murmuram constantemente.


Isso acontece porque tentam viver no ritmo da lei e não no compasso da graça.


É como em um casamento: a relação é mantida por conta de uma lei, pelo medo da separação, pelo medo das consequências. Então, faço tudo certo — mas pelo motivo errado. Não adultero porque não posso me separar. Levo a provisão para casa porque não posso me separar. Permaneço na relação não por amor, mas por obrigação.


Isso até pode parecer correto externamente, mas é insustentável internamente. Será um relacionamento sem vida, sem alegria, sem desfrute. O problema não está apenas no comportamento, mas na motivação que sustenta esse comportamento.


O foco não deveria ser o medo, nem a obrigação, mas o relacionamento — amar e ser amado. Quando isso muda, o comportamento pode até continuar o mesmo, mas a origem é completamente diferente. Já não faço por medo, mas porque sei que sou amado e também amo.


Da mesma forma, o que leva alguém a viver de maneira descompassada é a lei e a falta de revelação da graça — ou seja, daquilo que recebemos de Deus em Cristo Jesus e daquilo que Deus nos tornou por meio da obra da cruz. É a falta de revelação da nossa identidade em Cristo que nos conduz a esse estilo de vida desconectado da realidade espiritual.


Logo, à medida que vamos tendo a revelação de quem somos em Cristo Jesus e do que recebemos nele, vamos entrando no compasso da graça. Nossa vida e nossas atitudes passam a ser transformadas a partir dessa revelação. Não é um esforço externo, mas um resultado interno. Não é uma tentativa de viver certo, mas uma consequência de quem nos tornamos.


A graça não apenas nos alcança — ela nos conduz. Ela nos ensina. Ela nos forma. E ela nos leva a uma vida em harmonia com a Palavra de Deus.

 
 
 

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