O VIVER É CRISTO E O MORRER É LUCRO
- 28 de abr.
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Filipenses 1:19-26 De fato, continuarei a alegrar-me, pois sei que o que me aconteceu resultará em minha libertação, graças às orações de vocês e ao auxílio do Espírito de Jesus Cristo. Aguardo ansiosamente e espero que em nada serei envergonhado. Ao contrário, com toda a determinação de sempre, também agora Cristo será engrandecido em meu corpo, quer pela vida, quer pela morte; porque, para mim, o viver é Cristo e o morrer é lucro. Caso continue vivendo no corpo, terei fruto do meu trabalho. E já não sei o que escolher! Estou pressionado dos dois lados: desejo partir e estar com Cristo, o que é muito melhor; contudo, é mais necessário, por causa de vocês, que eu permaneça no corpo. Convencido disso, sei que vou permanecer e continuar com todos vocês, para o seu progresso e alegria na fé, a fim de que, pela minha presença, outra vez a exultação de vocês em Cristo Jesus transborde por minha causa.
Ao olharmos para esse texto, percebemos que o apóstolo Paulo chega diante de uma situação em que se sente pressionado pelos dois lados: partir e estar com Cristo — o que claramente é o seu desejo —, mas, por outro lado, permanecer e servir como canal da edificação da vida de Deus para os filipenses.
A ideia de Paulo em estar com Cristo não é escapar de algo ou fugir de algum tipo de dificuldade, nem uma tentativa de abreviar sua vida. Seus pensamentos não são pensamentos suicidas. Para Paulo, as duas realidades são valiosas: permanecer na carne e morrer e estar com Cristo — e isso porque Cristo é o centro da sua vida.
Quando Paulo expressa seu desejo de partir, ele não está focado na morte em si, mas naquele que encontrará após a morte. Sua perspectiva não está na morte, mas na vida que virá depois dela. Por isso ele declara: “para mim, o viver é Cristo, e o morrer é lucro” (Filipenses 1:21).
Esse versículo nos revela não apenas como Paulo encara a morte, mas, principalmente, como ele entende a vida. Quando afirma que “o viver é Cristo”, ele está dizendo que a própria definição de vida não está em si mesmo, mas em Cristo. A vida, aqui, não é apenas existência, mas participação na vida de Deus.
Isso implica reconhecer que houve um momento em que estávamos mortos, e Deus nos deu vida. Não começamos vivendo, começamos mortos. Mas Deus, rico em misericórdia, pelo grande amor com que nos amou, nos deu vida juntamente com Cristo (Efésios 2:1-5). Essa vida não é resultado do nosso esforço, mas da graça. E, se a origem é a graça, também o meio pelo qual vivemos continua sendo a graça.
Por isso, viver não é tentar sustentar uma espiritualidade a partir de nós mesmos, mas permanecer na dependência daquele que é a própria vida. Como está escrito: “nele vivemos, nos movemos e existimos” (Atos 17:28). Cristo não é apenas o início da nossa vida, mas também o seu sustento contínuo. Ele é a fonte, o meio e a permanência. Fora dele não há vida, não há movimento e não há existência.

É nesse sentido que Paulo afirma: “já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim” (Gálatas 2:20). A vida cristã não é um esforço de viver para Deus, mas a expressão da vida de Cristo em nós. Não se trata de desempenho, mas de dependência; não de mérito, mas de fé; não de capacidade humana, mas da graça que opera em nós.
E essa vida tem um propósito claro: a glória de Deus. Tudo procede dele, é sustentado por ele e converge para ele. Como está escrito: “pois dele, por ele e para ele são todas as coisas” (Romanos 11:36). Quando compreendemos isso, entendemos também que Deus não é glorificado quando confiamos em nós mesmos, mas quando vivemos pela graça. Sempre que o homem ocupa o centro, a glória é desviada; mas quando Cristo é o centro, a glória permanece onde sempre deveria estar.
Como disse John Piper, Deus é mais glorificado em nós à medida que estamos mais satisfeitos nele. Ou seja, quanto mais dependentes dele, mais ele é evidenciado em nós.
É por isso que Paulo declara com tanta convicção: viver é Cristo.
E é exatamente essa compreensão que nos permite entender a segunda parte do versículo. Paulo afirma que morrer é lucro, e isso não porque a morte tenha valor em si mesma, mas porque, para quem vive em Cristo, a morte não representa perda, e sim transição.
Paulo não está falando de morte espiritual, nem de um esvaziamento da alma, mas da morte física. E, ainda que isso pareça estranho à primeira vista, sua afirmação é coerente com tudo o que ele já estabeleceu. Se Cristo é a vida, então estar com Cristo é a plenitude dessa vida. Logo, a morte, nesse contexto, não é o fim, mas o meio pelo qual essa plenitude é experimentada de forma completa.
O lucro não está na morte, mas naquilo que ela proporciona: estar com Cristo face a face.
Por isso existe essa tensão no coração de Paulo. Para si, partir é lucro, pois significa estar com Cristo. Para os outros, permanecer é necessário, pois sua vida ainda serve como instrumento de edificação. Essa “crise” não é confusão, mas a expressão de um coração que já não vive para si, mas para Cristo e para aquilo que Cristo deseja fazer através dele.
Assim, podemos concluir que, quando viver é Cristo, o morrer será necessariamente lucro. Porque o destino final da nossa vida não é a morte, mas a presença. Não é o fim, mas o encontro. Não é perda, mas plenitude.
Veremos e estaremos diante daquele que nos amou. Estaremos diante do nosso Amado.
E, se não formos até Ele por meio da morte, Ele mesmo virá até nós para nos redimir plenamente.
Esse é o fim da nossa jornada: estar face a face com o Rei do nosso coração.



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